Firmava o corpo, em atenção. Percorria
o pormenor de cada ruga da fronte, de
cada linha do rosto, de cada curva
do sorriso
Era bela a sua face, mas não
buscava já essa beleza. No fundo
do olhar mirava o espelho de
uma alma em que cria
reflectir-se
09/12/2011
27/09/2011
terra nossa
Terra de pó seco
de caminhos estéreis
e braços dolentes
Terra de pedras ásperas
inimigas do pisar
Terra de sofrimento
envergonhado, de
angústias escondidas
aos olhos dos filhos
Terra de facas e
cardos,essa
que lhe doía
de caminhos estéreis
e braços dolentes
Terra de pedras ásperas
inimigas do pisar
Terra de sofrimento
envergonhado, de
angústias escondidas
aos olhos dos filhos
Terra de facas e
cardos,essa
que lhe doía
21/09/2011
regresso
Um meio fado nos lábios
e outro meio em conjura
Ser e não ser daqui, mas
não poder ser doutro lado
Reconhecer num rosto do
passado os traços jovens
do velho que regressa
e outro meio em conjura
Ser e não ser daqui, mas
não poder ser doutro lado
Reconhecer num rosto do
passado os traços jovens
do velho que regressa
06/05/2010
24/03/2010
não era bem
Não era bem a seda do falar, como
não era bem o seu poisar de olhos
circunstantes. Seria, porventura
mais o gesto, o voo dos dedos, a
forma como guardava o espaço
na cova leve das mãos. Doutra
maneira, como retinha a luz em
seu redor, ou seja ainda, o seu
modo tão seu de existir. Num
lugar morno imune ao tempo havia
risos, festas e puríssimas
palavras
não era bem o seu poisar de olhos
circunstantes. Seria, porventura
mais o gesto, o voo dos dedos, a
forma como guardava o espaço
na cova leve das mãos. Doutra
maneira, como retinha a luz em
seu redor, ou seja ainda, o seu
modo tão seu de existir. Num
lugar morno imune ao tempo havia
risos, festas e puríssimas
palavras
22/02/2010
da luz dos vaga-lumes
Contar por versos o que eram
quase Verão, as noites de
Azedia. A Casa perto e
longe, a ribeira discreta
no fundo dos caniços. Era
altura da luz dos vaga-lumes
espelhada no encanto dos
olhos das crianças. Os cavalos
há muito que sabiam das
silentes sinfonias luminosas, mas
um poldro galopava um frenesi
à flor da erva e sorrisos
clareados de inocência acenavam
às estrelas um sinal de
entendimento
quase Verão, as noites de
Azedia. A Casa perto e
longe, a ribeira discreta
no fundo dos caniços. Era
altura da luz dos vaga-lumes
espelhada no encanto dos
olhos das crianças. Os cavalos
há muito que sabiam das
silentes sinfonias luminosas, mas
um poldro galopava um frenesi
à flor da erva e sorrisos
clareados de inocência acenavam
às estrelas um sinal de
entendimento
por ser tão dia
Por ser manhã, talvez
talvez por já ser dia
abria o coração à breve
luz de Abril. No regaço
de si mesmo prometia
um olhar claro ao que
era no porvir. Talvez
por ser manhã, talvez
por ser tão dia
talvez por já ser dia
abria o coração à breve
luz de Abril. No regaço
de si mesmo prometia
um olhar claro ao que
era no porvir. Talvez
por ser manhã, talvez
por ser tão dia
30/12/2009
pequena luz
Naturalmente nú
acendeu na casa uma fogueira
De pele chegada ao lume
arrependeu-se de cada
pecado, de cada
mal feito, de cada
bem desperdiçado. Não
era ainda altura do
perdão,saíu, assim, para
o inverno,o passo
incerto, uma pequena
luz nos nós dos dedos
acendeu na casa uma fogueira
De pele chegada ao lume
arrependeu-se de cada
pecado, de cada
mal feito, de cada
bem desperdiçado. Não
era ainda altura do
perdão,saíu, assim, para
o inverno,o passo
incerto, uma pequena
luz nos nós dos dedos
15/05/2009
o pó dos astros
De terra e de não terra são os ossos
de carne e de não carne o pensamento
o mesmo rosto às vezes, às vezes outra
cara, fortes e fracos, presos e libertos:
Assim somos, de tudo e nada feitos
e feitos, mesmo assim, do pó dos astros
de carne e de não carne o pensamento
o mesmo rosto às vezes, às vezes outra
cara, fortes e fracos, presos e libertos:
Assim somos, de tudo e nada feitos
e feitos, mesmo assim, do pó dos astros
03/03/2009
paragem ao luar
Vem o poema no compasso do galope
deslizando nos ares altos do cavalo
de cristal. Corpos elásticos andam
por direito em comunhão de esforço
até ao zénite em que cessa o
movimento. Tu respiras, o cavalo
resfolega e há um momento de
paz pura no silêncio da paragem
ao luar
deslizando nos ares altos do cavalo
de cristal. Corpos elásticos andam
por direito em comunhão de esforço
até ao zénite em que cessa o
movimento. Tu respiras, o cavalo
resfolega e há um momento de
paz pura no silêncio da paragem
ao luar
entre os olhos e a nuca
Era de noite quando anoiteciam
as mãos esquecidas sobre o surdo
som do ventre. Entre os olhos e a
nuca resistiam ao cansaço e
diziam poesia como se
esconjurassem espíritos
as mãos esquecidas sobre o surdo
som do ventre. Entre os olhos e a
nuca resistiam ao cansaço e
diziam poesia como se
esconjurassem espíritos
25/02/2008
a medida do humano
De tantas formas quantas
ervas há no chão, uma
vida vale como se
quiser, essa é a verdade
nua que precisa ser
pesada na balança do
sentido
Ainda assim, quando
lavras nas palavras do
poema a emoção do
belo na essência do
sinal , ainda assim,
dizia, pode ser que tu e o
poeta se comunguem
no êxtase de crescer a
medida do humano.
ervas há no chão, uma
vida vale como se
quiser, essa é a verdade
nua que precisa ser
pesada na balança do
sentido
Ainda assim, quando
lavras nas palavras do
poema a emoção do
belo na essência do
sinal , ainda assim,
dizia, pode ser que tu e o
poeta se comunguem
no êxtase de crescer a
medida do humano.
19/02/2008
Outros "sinais de poesia"
30/01/2008
enquanto
Passam rápidos clarões de
culpa e glória, no esquivo
reencontro dos nervos com o
sangue, enquanto a sua boca
ferve noutra boca
culpa e glória, no esquivo
reencontro dos nervos com o
sangue, enquanto a sua boca
ferve noutra boca
24/01/2008
fonte de luz
São poucas as palavras que conheço
e o meu mundo cabe numa gota de água;
mas do que sei, sei o que vais ser,
e como vais ficar em nós, por dentro
das crianças que também são tuas:
Uma fonte de luz que mostra os lados
por onde se descobre outro crescer
e o meu mundo cabe numa gota de água;
mas do que sei, sei o que vais ser,
e como vais ficar em nós, por dentro
das crianças que também são tuas:
Uma fonte de luz que mostra os lados
por onde se descobre outro crescer
17/01/2008
queda livre
Tanta coisa à flor da boca transbordando
no corpo que se faz de amanhecer.
Vê como é: ave no gume do éter
Vê como vai : vertical em queda livre
no corpo que se faz de amanhecer.
Vê como é: ave no gume do éter
Vê como vai : vertical em queda livre
04/12/2007
30/10/2007
"sinais de poesia"
Glória de Sousa e Licinia Quitério vão dizer Vasco Pontes na Casa Fernando Pessoa, no dia 15 de Novembro, às 19H00. O poeta, naturalmente, estará presente, aguardando quantos outros quiserem e puderem ir. Até lá!
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