O passo sincopado do cavalo assenta
nos teus dedos distendidos, a curva
do seu pescoço confirmando o
teu olhar. Passo a passo o horizonte
é já ali e os teus ombros, como
asas, equilibram o avanço
31/07/2018
24/07/2018
do vento nas palavras
Os pés já não sentem que chão pisam e
os olhos só sossegam na lonjura. Sopra
os olhos só sossegam na lonjura. Sopra
um vento agreste nos meandros do
poema que, mesmo assim, persiste
e sobrevive
poema que, mesmo assim, persiste
e sobrevive
a cor macia
Quando o sol levanta a luz
e a sua luz se envolve na manhã
teus dedos como espelhos vitrificam
e lançam nas olheiras uma cor macia
e lançam nas olheiras uma cor macia
01/10/2017
o amor perene
Ligava as mãos ao sol da sua
terra
vertia o coração em cada
brisa, em
em cada fio de água, em cada anoitecer.Amava, sim, perenamente, esse doce
país que lhe furava o peito
12/09/2017
da navegação dos astros
Deitou os rins na
água escura, descaiu a
espinha, flutuou. No zénite de um marulho
abriu os olhos e deixou que neles navegassem
as estrelas
espinha, flutuou. No zénite de um marulho
abriu os olhos e deixou que neles navegassem
as estrelas
26/02/2017
da fala
Ouve os sons da tua alma
deixa fluir a música das
palavras que tão bem te
conhecem e tanto
te definem. Sente
como pairam sob o sol e
sobre o mar, como se
enlaçam em afagos e
em festas as palavras
portuguesas. Digam
o que disserem,dizem
tudo de ti, essas
luzentes palavras
conformadas ao teu
ser
deixa fluir a música das
palavras que tão bem te
conhecem e tanto
te definem. Sente
como pairam sob o sol e
sobre o mar, como se
enlaçam em afagos e
em festas as palavras
portuguesas. Digam
o que disserem,dizem
tudo de ti, essas
luzentes palavras
conformadas ao teu
ser
03/02/2017
despedida
Imóveis no restolho, os
teus cavalos choram. As
suas lágrimas embebem-se
no pó de alguns sonhos
mal vencidos. Virados
contra o vento os teus
cavalos choram por ti, que
já não estás, mas não
sabes como ir. Ávidos de
ânimo os teus cavalos
escondem as orelhas e
a vergonha
de chorar
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