01/10/2017

o amor perene


Ligava as mãos ao sol da sua terra
vertia o coração em cada brisa, em
em cada fio de água, em cada anoitecer.
Sem condições,chegava ao corpo o mar, os
montes, as planuras. Guardava fundo nas
narinas o cheiro  das suas árvores, das
suas ervas, do próprio pó dos seus caminhos.
Amava, sim, perenamente, esse doce país que
lhe furava o peito

12/09/2017

da navegação dos astros



Deitou os rins na água escura, descaiu a espinha e
flutuou. No zénite de um marulho, abriu os olhos e
deixou que neles navegassem as estrelas

26/02/2017

da fala




Ouve os sons da tua alma
deixa fluir a música das
palavras que tão bem te
conhecem e tanto
te definem. Sente
como pairam sob o sol e
sobre o mar, como se
enlaçam em afagos e
em festas as palavras
portuguesas. Digam
o que disserem,dizem
tudo de ti, essas
luzentes  palavras
conformadas ao teu
ser




03/02/2017

despedida



Imóveis no restolho, os 
teus cavalos choram. As 
suas lágrimas embebem-se
no pó de alguns sonhos
mal vencidos. Virados
contra o vento os teus
cavalos choram por ti, que
já não estás, mas não
sabes como ir. Ávidos de
ânimo os teus cavalos
choram-te no peito onde
escondem as orelhas e
a vergonha
de chorar